Iphan promove Comitê de Salvaguarda das Parteiras Tradicionais em Macapá (AP)

Contexto Histórico das Parteiras Tradicionais

No Brasil, as parteiras tradicionais desempenham um papel fundamental na assistência ao parto, trazendo uma riqueza de saberes e práticas que se transmitem de geração em geração. Este ofício é marcado por uma longa história de cuidado e respeito às tradições familiares e culturais, sendo uma parte essencial da saúde materna em diversas comunidades, especialmente nas regiões mais remotas do país onde o acesso a serviços médicos é limitado.

Essas mulheres são muitas vezes reconhecidas e respeitadas em suas comunidades como detentoras de um conhecimento que vai além da mera técnica, envolvendo práticas baseadas em crenças populares e experiências pessoais acumuladas ao longo das décadas. A história das parteiras é também uma narrativa de resistência e luta pela valorização de suas práticas, especialmente em um contexto onde a medicina convencional frequentemente não considera esses saberes.

O Registro do Ofício como Patrimônio Cultural

O reconhecimento do trabalho das parteiras tradicionais como patrimônio cultural imaterial pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 2024 é um passo significativo para a valorização dessa prática. Este registro não apenas celebra o ofício, mas também garante que os saberes e as técnicas envolvidos sejam preservados e transmitidos para futuras gerações. Ao oficializar o ofício das parteiras, o Iphan promove a preservação das práticas culturais e a respeito pelo conhecimento ancestral da população brasileira.

O dossiê que acompanhou o registro do ofício das parteiras incluiu estudos e propostas de ação que visam garantir a continuidade e a valorização dessas práticas, mostrando a importância do diálogo entre a cultura local e as diretrizes instituídas pelo Iphan. Isso permite que as parteiras possam se organizar e contribuir ativamente para a salvaguarda de seu conhecimento.

Importância do Comitê de Salvaguarda

O Comitê de Salvaguarda das Parteiras Tradicionais, instituído em 31 de março, é um exemplo perfeito de como as detentoras desse saber são convidadas a ter voz nas decisões que afetam suas práticas. Este comitê é fundamental para discutir e delinear estratégias que assegurem que o conhecimento das parteiras não se perca e que as novas gerações possam acessar e aprender essas habilidades essenciais.

A formação do comitê envolve a articulação das parteiras em um esforço coletivo, reforçando seu papel como protagonistas na preservação de suas tradições. Por meio desse comitê, as parteiras têm a oportunidade de propor ações, levantar desafios e potencializar suas vozes em um cenário onde suas contribuições muitas vezes não são visíveis para a sociedade em geral.

Desafios Enfrentados pelas Parteiras

Apesar do reconhecimento e do apoio institucional, as parteiras tradicionais ainda enfrentam uma série de desafios. A falta de acesso a recursos e formação adequada é um dos obstáculos mais predominantes. Muitas parteiras relatam dificuldades em aprimorar suas habilidades com novas técnicas que possam ser integradas à sua prática. Além disso, a medicina convencional, embora necessária, por vezes desvaloriza o conhecimento e a experiência das parteiras, criando um espaço de conflito entre os dois tipos de assistência ao parto.

Outro desafio significativo é a dificuldade de transmitir saberes para as próximas gerações. A urbanização e a modernização têm feito com que muitos jovens deixem suas comunidades e possam não ter a oportunidade de aprender com as mais velhas. A luta para manter viva essa tradição é uma preocupação constante para muitas parteiras, que desejam garantir que suas filhas e netas possam continuar a praticar este ofício.

Roles e Responsabilidades dos Membros do Comitê

Os membros do Comitê de Salvaguarda têm um papel crucial na proteção e promoção das práticas das parteiras. Cada indivíduo possui funções distintas, mas complementares, focadas em criar um ambiente de aprimoramento e valorização do ofício. Entre as responsabilidades do comitê, destacam-se a organização de eventos que promovam a troca de saberes, o mapeamento das parteiras atuantes e a articulação com o governo para garantir políticas públicas que apoiem essa prática.

Além disso, o comitê deve trabalhar na coleta de testemunhos e documentos que comprovem a relevância dessa profissão dentro da estrutura cultural brasileira. A parceria entre parteiras tradicionais e as instituições governamentais é essencial para garantir que as práticas de parto continuem sendo respeitadas e reconhecidas.



A Voz das Parteiras nas Decisões

O protagonismo das parteiras é um aspecto central no funcionamento do comitê. Elas são convidadas a compartilhar suas experiências, desafios e expectativas em relação ao seu ofício. A participação ativa das parteiras nas discussões sobre políticas de saúde e cultura é vital para que suas necessidades sejam atendidas. O fato de ter suas vozes reconhecidas e valorizadas é uma maneira de reafirmar sua importância e legado dentro da sociedade.

O comitê, ao promover as reuniões e o diálogo, também serve como um espaço de fortalecimento comunitário onde as parteiras podem se sentir apoiadas e encorajadas a continuar seu trabalho. Essa troca de experiências e conhecimentos se torna fundamental para a construção de uma rede sólida de apoio que visa não só a sobrevivência do ofício, mas também sua valorização.

Propostas de Ação e Mobilização

As propostas de ação delineadas pelo comitê incluem a criação de um Cadastro Nacional de Parteiras Tradicionais, que permitirá o mapeamento e a valorização dessas profissionais em todo o Brasil. Além disso, o comitê está focado em desenvolver ações participativas que ajudem a fortalecer a rede de apoio entre parteiras, promover encontros e oficinas de formação e palestras que promovam a troca de saberes entre diferentes regiões do país.

Essas iniciativas buscam não apenas preservar práticas tradicionais, mas também integrar novos conhecimentos que possam enriquecer a atuação das parteiras. A mobilização social em torno do fortalecimento da identidade cultural das parteiras é igualmente importante, permitindo que suas histórias e saberes sejam respeitados e reconhecidos dentro do contexto histórico e social brasileiro.

O Impacto da Salvaguarda na Comunidade

A salvaguarda do ofício de parteira tradicional não se limita apenas ao reconhecimento cultural; ela gera impactos diretos na saúde da comunidade. A assistência das parteiras constitui-se como um elo fundamental no cuidado à saúde materno-infantil, especialmente em locais onde as proximidades com unidades de saúde são escassas.

Estudos têm mostrado que a presença de parteiras tradicionais pode contribuir significativamente para a redução da mortalidade materna e infantil, oferecendo atendimento que é, muitas vezes, mais acessível e culturalmente adequado para as mulheres de suas comunidades. Essa salvaguarda, portanto, vai além da preservação cultural, sendo também uma questão de saúde pública, destacando a importância do trabalho das parteiras no contexto social e sanitário brasileiro.

Futuro das Parteiras Tradicionais

O futuro das parteiras tradicionais depende, em grande medida, dos esforços coletivos para garantir a valorização do seu trabalho e a transmissão de seus conhecimentos. Iniciativas como o comitê de salvaguarda são fundamentais para estabelecer um legado que se perpetue ao longo das gerações. Embora os desafios sejam muitos, a vontade de preservar e compartilhar saberes é forte entre as parteiras.

Com o suporte adequado e políticas que promovam o fortalecimento das práticas tradicionais, é possível vislumbrar um futuro onde as parteiras não apenas mantenham sua relevância, mas também se tornem uma voz respeitada dentro das discussões mais amplas sobre saúde e cultura no Brasil.

Testemunhos de Parteiras sobre a Iniciativa

Os relatos das parteiras sobre a criação do comitê refletem um sentimento de esperança e renovação. Muitas expressam a alegria de poderem, finalmente, ver o valor de seu trabalho reconhecido. Depoimentos ressaltam a satisfação em saber que suas práticas e saberes têm agora um espaço formal e que estão sendo debatidos como parte do patrimônio cultural do país.

Uma parteira afirmou: “É um sonho que se torna realidade. Sempre quis que as futuras gerações soubessem como fazer isso e que o nosso conhecimento não fosse esquecido”. Esse sentimento é compartilhado por muitas outras, que esperam que a nova estrutura traga não apenas reconhecimento, mas também visibilidade e valorização social a esse ofício tão vital.

A importância da preservação do conhecimento de parteira vai além do aspecto técnico; trata-se de manter viva uma história rica em tradições e em saberes que falam diretamente das experiências femininas ao longo dos séculos no Brasil.



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