Quem é Daniel Theodoro, vereador afastado em operação que apura indicação de faccionados para cargos públicos no AP

O vereador Daniel Theodoro (PSOL) foi afastado do cargo por decisão judicial em 15 de outubro de 2026, durante a Operação Cavalo de Tróia, no Amapá. A medida é cautelar e não tem prazo definido.

A investigação apura um suposto esquema de indicação de integrantes da facção Família Terror do Amapá (FTA) para vagas em empresas que prestam serviços ao poder público. Segundo a polícia, também são investigados possíveis favorecimentos no sistema prisional.

Natural de São Paulo, Theodoro é vereador de Macapá e foi reeleito em 2024 com 4.542 votos, o segundo maior número da eleição para a Câmara Municipal. Em 13 de outubro de 2026, ele havia sido eleito primeiro vice-presidente da Mesa Diretora para o biênio 2027-2028.

Daniel Theodoro

A operação também afastou um suplente e servidores públicos, e cumpriu nove mandados de busca e apreensão em Macapá. A investigação e as manifestações de Theodoro e do presidente da Câmara repercutiram na composição política da Casa.

Trajetória política e votação em Macapá

O nome completo do vereador é Daniel Theodoro Petraglia, filiado ao PSOL e natural de São Paulo. Antes de disputar a reeleição para a Câmara de Macapá, ele concorreu a uma vaga de deputado estadual em 2022.

Entre as pautas associadas ao mandato de Theodoro estão melhorias para os servidores municipais e cobranças por mais eficiência nos serviços públicos. A atuação também inclui propostas para educação e inclusão digital nas escolas.

Na área da saúde, o vereador apresentou propostas relacionadas aos direitos de pessoas com fibromialgia. Esses temas integram a agenda pública atribuída ao mandato de Daniel Theodoro.

O que a Operação Cavalo de Tróia investiga

As apurações da Operação Cavalo de Tróia examinam uma suposta troca de favores entre agentes públicos e integrantes da Família Terror do Amapá (FTA). Segundo a investigação, uma mulher apontada como liderança externa da facção mobilizava apoio comunitário e político para determinados agentes.

Em contrapartida, parlamentares e servidores investigados teriam indicado pessoas ligadas ao grupo para vagas em empresas terceirizadas que atendem o poder público, especialmente na área da saúde. O delegado Estefano Santos afirmou que as vagas eram direcionadas à liderança feminina, que indicaria os beneficiados.



A polícia também apura possíveis favorecimentos no sistema prisional, incluindo vagas de trabalho e remição de pena para um detento apontado pelas autoridades como liderança da FTA e companheiro da mulher investigada. Segundo o delegado, a suposta relação teria criado um canal direto entre a liderança fora da prisão e setores da administração do Instituto de Administração Penitenciária do Amapá (Iapen).

De acordo com a investigação, uma servidora afastada da Câmara Municipal de Macapá recebia currículos ligados à facção e organizava consultas médicas consideradas privilegiadas. As autoridades também investigam supostas regalias concedidas ao detento dentro do sistema prisional.

Afastamento e repercussões na Câmara Municipal

Em manifestação pública, Daniel Theodoro disse que se colocou à disposição das autoridades e que a investigação menciona um contato antigo com uma pessoa conhecida em atividades políticas. O vereador afirmou que conhecer alguém não significa participar de eventual prática ilícita e declarou que, até então, não haviam sido apresentados publicamente elementos concretos de sua participação.

Theodoro também questionou a repercussão das medidas e observou que a operação ocorreu na data prevista para a eleição da Mesa Diretora, da qual participava como candidato a primeiro vice-presidente. Ele declarou respeitar o direito de investigação, mas contestou a proporcionalidade e a exposição pública das buscas.

O presidente da Câmara, Pedro DaLua, questionou a realização da operação dois dias após a eleição interna e afirmou que a ação atingiu um integrante da chapa vencedora. A Casa informou que pediria o afastamento cautelar do delegado responsável, sob alegação de possível motivação alheia à investigação, embora tenha declarado não se opor ao combate ao crime organizado.

DaLua também defendeu imparcialidade, legalidade e transparência, e afirmou que a atuação policial não deve servir a interesses políticos nem interferir na autonomia do Legislativo. Com o afastamento cautelar de Theodoro, sem prazo definido, Margleide Alfaia passou a ser o nome mais próximo da presidência na composição atual; pela linha sucessória aprovada para a próxima Mesa, Theodoro poderia assumir o comando a partir de 1º de janeiro de 2027.



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