Uma pesquisa da Universidade Federal do Amapá (Unifap) identificou sinais de contaminação fecal em água de poços usada por moradores de Macapá. O levantamento encontrou coliformes e a bactéria Escherichia coli (E. coli), indicadores de possível contaminação.
O estudo avaliou a qualidade da água em 22 bairros da capital amapaense. Segundo os pesquisadores, a proximidade entre poços e fossas sanitárias pode favorecer a chegada de resíduos ao lençol freático.
Congós, Renascer e Santa Rita estão entre as áreas com índices preocupantes, de acordo com a pesquisa divulgada em 23 de outubro de 2026. Na região próxima ao Cemitério São José, na Zona Sul, também foram identificadas amostras com contaminação bacteriana.

Além dos indicadores bacteriológicos, os pesquisadores observaram características químicas da água, como acidez elevada e presença de metais. O estudo também aponta que a contaminação pode estar no poço ou em outras partes do sistema que leva água às residências.
Bactérias foram encontradas em amostras de diferentes bairros
No Renascer, 60,6% das amostras continham coliformes totais, enquanto 24,2% apresentaram Escherichia coli (E. coli). Os percentuais estão entre os maiores índices identificados no levantamento.
Já no Congós, os coliformes totais foram detectados em 48,1% dos pontos avaliados. Na área próxima ao Cemitério São José, seis das sete amostras coletadas apresentaram contaminação bacteriana.
Segundo Marcelo Oliveira, pesquisador responsável pelo estudo, coliformes e E. coli são grupos de bactérias presentes no trato intestinal de pessoas e outros seres vivos, e sua presença indica provável contaminação fecal. A detecção, explicou, não significa que quem consumir a água necessariamente ficará doente.
Para Oliveira, porém, esses indicadores sinalizam condições que podem favorecer a presença de outros micro-organismos capazes de causar doenças. Como as bactérias não são visíveis a olho nu, a aparência limpa e cristalina da água não confirma que ela esteja livre de contaminantes.
Coleta e análise apontam possíveis fontes de contaminação
Os pesquisadores visitaram residências duas vezes por semana para coletar amostras. A medição do cloro foi feita no local, enquanto as análises físico-químicas e bacteriológicas ocorreram em laboratório da Unifap.
As amostras foram retiradas de torneiras das casas, e não diretamente dos poços. Por isso, segundo os pesquisadores, os contaminantes podem estar na água subterrânea ou em outras partes do sistema doméstico, como tubulações e caixas-d’água.
A proximidade entre poços e fossas sanitárias pode permitir que resíduos se infiltrem no solo e alcancem o lençol freático. A pesquisa aponta essa relação como uma possível origem da contaminação fecal em poços de Macapá, mas a coleta nas torneiras não determina, por si só, em que etapa do sistema cada caso começou.
Quando há identificação de contaminação, os pesquisadores orientam suspender o consumo da água e avaliar o sistema hidráulico da residência. A vistoria deve considerar poços, encanamentos e caixas-d’água para localizar a possível origem do problema.


